2020-09-30 (Wednesday)
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Covid19: MUST quer financiamento público para vacina

O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), Manson Fok, afirmou hoje esperar que o Governo apoie a vacina contra a COVID-19 que a instituição está a desenvolver, de modo a garantir um acesso prioritário aos residentes de Macau. Esta investigação sobre uma potencial vacina contra a infecção com o novo tipo de coronavírus está a ser levada a cabo pela MUST, em colaboração com a Universidade Politécnica de Hong Kong e várias instituições do interior da China. O trabalho deu origem a um estudo que foi publicado na semana passada na revista científica Nature. Esta terça-feira, num encontro com jornalistas – onde participou via videoconferência –, Manson Fok referiu que a investigação feita até agora já custou “dezenas de milhões de dólares americanos” e apelou à ajuda do Executivo. “Gostaríamos que o Governo nos apoiasse neste esforço, porque, até agora, temos trabalhado com o nosso próprio financiamento, com limitações, e queremos mesmo acelerar o processo. Temos gerado um grande interesse por parte de outros países e temos obtido recursos do exterior, mas espero que o Governo, se entender que isto é algo que quer ver concretizado, se possa, pelo menos, comprometer, para que nós possamos garantir que, quando tivermos uma vacina pronta, os residentes de Macau serão dos primeiros a ter estas vacinas, em vez de terem de esperar um ano ou dois para que outros países as distribuam em massa”, afirmou hoje Manson Fok, acrescentando que ainda não houve quaisquer conversações com o Governo sobre esta matéria. A equipa diz que os testes da nova vacina em animais demonstraram uma resposta forte ao nível do sistema imunitário, sem efeitos secundários de maior, pelo que os cientistas querem agora avançar para testes em humanos. Kang Zhang, docente da MUST, e um dos autores do estudo, espera que a chamada “fase 1” dos ensaios – onde é testada a segurança da vacina em humanos – possa começar já em Setembro e que, se tudo correr bem, a vacina possa ser aprovada no início do próximo ano. “Provavelmente vamos executar as fases 2 e 3 de modo combinado, portanto, talvez em Novembro. E depois, dentro de dois a três meses, devemos saber o suficiente para talvez nos candidatarmos à aprovação por parte dos reguladores. Portanto, se tudo correr como esperamos, estamos a pensar em tentar a aprovação no final do ano, início do próximo”, referiu Kang Zhang. As vacinas que vão ser administradas nos ensaios em humanos deverão ser produzidas por um fabricante de Taiwan, mas a equipa disse não saber ainda quem vai, mais tarde, fabricar a vacina em massa, caso a mesma venha a ser aprovada. No encontro de hoje com os jornalistas, os académicos não revelaram onde vão ser feitos os testes em humanos, mas, face à ausência de um número suficiente de casos da doença em Macau ou no interior da China, o Brasil é uma das hipóteses em análise. Aliás, o país está já a acolher os testes de uma potencial vacina contra a COVID-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. De acordo com o estudo publicado na Nature, o grupo de cientistas de Macau, Hong Kong e do interior da China desenvolveu uma vacina recombinante – criada com recurso à engenharia genética – que assenta em resíduos de uma parte específica da proteína do novo tipo de coronavírus, a S-RBD. Esta parte, argumentam, é responsável pela ligação do vírus (o SARS-CoV-2) ao receptor ACE2 da célula do hospedeiro, naquilo que é visto como “o passo mais crítico durante a infecção”. Segundo os autores, a administração de uma dose única desta vacina em ratos, coelhos e macacos resultou numa “resposta potente” a nível dos anticorpos, “sete ou 14 dias depois”. A equipa acredita que os resultados são promissores e que o método utilizado para o desenvolvimento da vacina é compatível com uma eventual produção em massa, com uma boa relação custo-benefício. Sofia Jesus

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