2021-04-11 (Sunday)
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Neto Valente:Jorge Coelho não era um político como os outros

Jorge Coelho era um homem de convicções, lutador, sensato e muito equilibrado. Desta forma define Jorge Neto Valente o antigo membro do Governo de Macau que morreu ontem em Portugal. Amigo de longa data de Jorge Coelho, o presidente da Associação dos Advogados diz que o antigo secretário-adjunto do Executivo de Macau foi sempre um conciliador. “Era um homem indiscutivelmente bom. De convicções, lutador, mas isso não o impedia de ser sensato, razoável, de ser uma pessoa muito equilibrada, com um espírito profundamente democrático, dialogante, um conciliador, um fazedor de pontes”, disse Jorge Neto Valente à Rádio Macau. O antigo secretário-adjunto do Governo de Carlos Melancia foi, adianta Jorge Neto Valente, “um bom governante em Macau”. “Infelizmente não por muito tempo. Saiu a bem de Macau, já que quis ir para Portugal assumir outras responsabilidades. Deixou boas recordações aqui e não conheço ninguém que não apreciasse as suas qualidades”, frisou. Neto Valente recorda a decisão de Jorge Coelho de se demitir do Governo de António Guterres quando sucedeu a tragédia de Entre-os- Rios. Jorge Coelho, diz o presidente da Associação dos Advogados, não era um político igual aos outros. “Foi um homem que sempre revelou uma grande dignidade. Impossível não recordar a atitude que ele tomou de assumir inteira responsabilidade política quando sucedeu a tragédia de Entre-os-Rios. Directamente não tinha responsabilidade nenhuma, mas por ser o ministro do sector, da tutela, assumiu toda a responsabilidade, pois como disse na altura a culpa não pode morrer solteira”, recorda Neto Valente. “Isso faz dele um político diferente, não era um político igual aos outros”, acentua Jorge Neto Valente. Jorge Coelho era um dirigente histórico do PS e foi ministro em três pastas dos Governos de António Guterres. Em Macau, onde trabalhou entre 1987 e 1991, integrou o governo de Carlos Melancia como secretário-adjunto para a Educação e Administração Pública (89-91) e antes foi chefe de gabinete do secretário-adjunto Francisco Murteira Nabo. Gilberto Lopes

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